28 março, 2018

Time for T

​Foi a primeira vez que Tiago Saga, o coração dos Time for T, esteve em Viseu. A cidade não estava recetiva a visitantes e para o luso-britânico que cresceu no Algarve o frio e a chuva não foram de todo simpáticos.

No carro já velho e totalmente atulhado de instrumentos acompanhavam-no Joshua Tayler (baixista), Felipe Bastos (percussão) e Ellie Ford (sobre esta britânica falaremos noutro capítulo). Embora um bom companheiro de viagem, estacionar o automóvel foi um problema. É que o nosso convite passava por tocar na chapelaria do Sr. Pedro - também conhecida por Chapelaria Confiança - mesmo no centro da cidade, na rua Direita. Ora, os “truques algarvios” de Tiago Saga conseguiram levar o veículo até à porta da chapelaria com um ou outro olhar mais incrédulo e alguns sorrisos de quem passava. Ali, habitualmente, não se vêem automóveis, mas a verdade é que não tardou para que os instrumentos estivessem dentro da loja, protegidos da chuva, prontos a cantar.

O interior da Chapelaria Confiança é apertado e cobre-se de caixas e chapéus até ao teto. É uma casa antiga e nota-se, mas também a forma como somos recebidos, com toda a amabilidade prestada, parece de outros tempos. O Felipe Bastos, que à noite estaria a tocar bateria, ali na loja entretinha-se a encontrar alternativas aos tambores. Enquanto outros afinavam, ele percebeu que o suporte metálico dos chapéus daria um excelente instrumento. Uma caixa de cartão ali ao lado também viria a ser útil. Enquanto lá fora chovia e uma ou outra voz ameaçava chamar a polícia para não ver carros naquela rua, cá dentro, de cabelo molhado e roupa encharcada, Tiago Saga tocava os primeiros acordes. Filmámos.

A música dos Time For T é bastante característica e a forma descontraída com que a tocam revela a experiência de vários anos na estrada. Se é verdade que o seu álbum de estreia, “Hoping Something Anything” foi apresentado o ano passado, também é verdade que já estão nestas aventuras desde 2013.

C​onheçam mais do seu trabalho em: www.timefortmusic.com.


01 março, 2018

Luís Severo

Simplifiquemos e digamos que Luís Severo chegou a Viseu com dois álbuns lançados, o mais recente com o seu próprio nome, o outro, "Cara d'Anjo", surgiu em 2015. No entanto, entre EP's, canções criadas espontaneamente e outras que, por uma razão ou por outra, passam anos na gaveta, as músicas deste cantautor são bem mais do que aquelas que arrumou em disco. Tudo isto importa dizer porque, desafiado pelo Musiquim, Luís Severo aceitou participar em tempo record e, melhor ainda, foi a essa tal gaveta de canções para nos trazer "Voltas". A bem da verdade este tema não é novo, mas a sua versão despida de outros instrumentos é única. Para além dela, ainda fomos brindados com "Ainda é Cedo" e "Lábios de Vinho", mas comecemos pelo princípio.

Fomos encontrar Severo a terminar o seu soundcheck no Carmo'81, onde iria tocar nessa noite. É uma tarde de sábado e à entrada disseram-nos que os bilhetes eram poucos, a lotação já ultrapassava a centena. Bons presságios. Quando o cantautor terminou ou seus ajustes sonoros brindou-nos com um sorriso largo, um aperto de mão e um pedido de desculpas desnecessário. "Podemos ir, estou à vossa disposição", disse.

Para ir, o nosso plano passava por entrar nas artérias mais antigas da cidade, foi o que fizemos. O percurso foi pequeno, mas a conversa com Luís Severo revelou-se estranhamente natural. A sua música já nos era familiar, é certo, mas o seu à vontade é envolvente. Ficámos a saber que tem família por perto, que mesmo à distância sentiu a dor sofrida pelos incêndios do último ano, que da música de Viseu conhece, antes de mais Galo Cant'às Duas e Moullinex. "Mas Moullinex já é do mundo", acrescentou.

Só parámos no topo de uma escadaria. Anoitecia e embora alguns candeeiros se acendessem, a luz teimava em escassear. Afinou-se a guitarra num instante, instalou-se o microfone e filmamos. Estes são os momentos que se contam por vídeos. Ainda assim, acrescentamos que foram momentos especiais estes que partilhámos. O trabalho de Luís Severo é de uma honestidade rara e foi isso que se refletiu nesta canções e depois no concerto no Carmo'81. A postura sem artifícios cativou o público que se deslocou para o ver. "Toca Nita", disse alguém no público. "Nita?" - retorquiu Severo "É das canções mais difíceis para mim. Os meus amigos dizem que é a minha canção de que menos gostam, então eu fui gostando cada vez menos. Mas é fixe ver que tu gostes! Assim fico mais contente. Vou cantar então." E cantou.

Essas e outras canções estão na sua página, encontrem-no lá.


02 janeiro, 2017

Chão da Feira

O frio já se tornava habitual quando finalmente a 7 de Novembro de 2015 as Chão da Feira chegavam a Viseu. Este era um dia que estavamos a planear há mais de um ano, por isso a ansiedade era muita de ambos os lados. Ninguém adivinhava que para se divulgar o que se fez nessa manhã fosse preciso outro ano, mas já lá vamos.

Chão da Feira é um dueto formado pela Alina Sousa e Vanessa Borges. Nessa manhã chegavam a Viseu com um disco editado: "Das Tripas Coração", onde as suas vozes, flautas de bisel e guitarra têm o protagonismo. As melodias com raízes tradicionais captaram a nossa atenção e como o dueto nunca havia atuado nesta cidade, com o apoio do hotel Avenida, foi possível que estivessem presentes para dar um concerto. Esse foi maravilhoso, com o público a esgotar a sala e sem vontade de a abandonar, mesmo depois de todas as canções. No entanto, o registo tipo do Musiquim é outro e a pedido da Vanessa fomos à procura de um piano onde pudessem interpretar uma versão diferente de "Nas Nossas Mãos". Encontrámos esse piano, curiosamente, noutro Hotel. O Hotel Montebelo que nos acolheu de braços abertos. Ora, enquanto aguardávamos pelo fim de uma conferência viemos até à rua e aproveitámos a paisagem para interpretar "Lágrimas de Cebola". No fim são essas duas as canções que hoje publicamos.

Agora um enorme pedido de desculpas à Vanessa e Alina por este ano que se intrometeu entre o dia das gravações e a sua publicação. O Musiquim é um projeto feito de boa vontade e tempo livre, e embora boa vontade não escasseie, já o tempo livre tem sido matreiro. Encontrem mais do seu trabalho em www.chaoadafeira.pt